Lançamento | Centenário da Semana de Arte Moderna


Sobre o Bloco

O bloco é formado por quatro selos que representam os quatro pilares artísticos que se fizeram presentes na Semana de Arte Moderna: literatura, pintura, música e arquitetura. Carybé influenciou o pilar da Literatura, em suas ilustrações feitas para o livro Macunaíma. Com uma pitada de irreverência, o personagem principal está deitado sobre os óculos de Mário de Andrade. Na Pintura o selo foi inspirado na obra “À sombra”, de Zina Aita, onde os trabalhadores são motoboys, personagens do nosso cotidiano em grandes centros urbanos. Na Música faz-se uma alusão ao “Trenzinho do Caipira”, composição de Villa-Lobos, onde um trem faz seu percurso em teclas de um piano, expelindo fumaça de notas musicais e passando em uma paisagem campestre inspirada nas cores das obras de Anita Malfatti. Na Arquitetura, em destaque, aparece o MASP em cujo acervo há várias obras dos Modernistas, e ao fundo o Teatro Municipal de São Paulo, palco desse importante acontecimento. No centro do bloco há uma árvore já crescida em referência à árvore criada por Di Cavalcanti para o cartaz do evento. Ilustrações inspiradas nas obras de Tarsila do Amaral são elementos de ligação entre os selos e movimentam toda a composição. O fundo do bloco, na cor prata, mostra um mosaico com diferentes padrões que remetem à mistura cultura brasileira: padrões Yorubá, calçadão de Ipanema, calçadas de São Paulo, as cerâmicas marajoaras, os azulejos dos casarões de São Luís e os azulejos de Cândido Portinari. Por fim, há um QR Code, que direciona a um site especial criado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), onde é possível obter mais informações sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, conhecer mais obras e passear pela história desse Movimento tão importante no cenário da cultura nacional.


Centenário da Semana de Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna foi um evento organizado por artistas diversos entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, tendo como local o Teatro Municipal de São Paulo. Contou com a participação de vários nomes que posteriormente ficaram conhecidos como grandes expoentes do modernismo brasileiro, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfati, Di Cavalcanti e Heitor Villa-Lobos.

Durante muito tempo, a historiografia interpretou a semana de 1922 como o grande ponto de virada das artes brasileiras, um projeto único e inovador que buscou utilizar-se das técnicas de vanguarda europeia para construir uma arte genuinamente nacional. Os modernistas de São Paulo seriam, portanto, os primeiros preocupados em buscar as raízes profundas do Brasil e da construção da nacionalidade, atrelando a isso a busca por elementos da arte e da cultura popular. Pela primeira vez, teria havido espaço para se pensar o Brasil a partir de elementos culturais indígenas e africanos e de camadas populares antes excluídas e pouco representadas.

A Semana de Arte Moderna completa neste ano seu primeiro centenário. Por conta desta data, as mais diversas instituições têm discutido o tema de múltiplas formas. O evento que, naquele momento, contou com a participação de alguns poucos artistas e obteve pouca repercussão, e tendo sofrido críticas até mesmo severas de contemporâneos, acabou por ser reconstruído, ao longo do século XX, em diversos meios sociais e políticos, como um movimento de extrema relevância. Assim, a Semana de Arte Moderna foi interpretada posteriormente como um movimento de relevância nacional, confundindo-se com a emergência do Modernismo brasileiro.

Entretanto, os estudos atuais vêm demonstrando o limite desta interpretação consagrada do evento paulista. Em primeiro lugar, é preciso ter-se em mente que a semana de 1922 não pode ser considerada o grande estopim da arte moderna no Brasil, tampouco São Paulo seu epicentro. Mesmo antes dos anos 1920, diversas tendências modernas e temáticas posteriormente exploradas pelos modernistas encontravam expressões em várias regiões do país. Além disso, o modernismo após 1922 continuou enquanto processo múltiplo, abarcando cidades de outros pontos geográficos do Brasil. Portanto, pode-se pensar o modernismo como uma expressão artística de longa duração, entre 1890 e 1945, no qual a semana de arte moderna foi apenas um fragmento. No que pese a questão da representação das culturas populares, diversos artistas da atualidade têm apontado a falta de representatividade e participação de artistas negros e indígenas no evento, sendo que existem expressões atuais que tentam refletir sobre essa questão.

Contudo, é inegável seu legado. De certo modo, pode-se dizer, a Semana de Arte Moderna forjou uma ideia de cultura nacional, posteriormente entendida e utilizada como os pilares do que hoje se entende por “brasilidade”. Mais do que uma ideia ou um conceito de cultura, talvez o maior legado, e talvez por isso sua longevidade, é que consequente a ela, instituições foram criadas e foram se criando, dando-lhe sustentação. Aos olhos das interpretações atuais, pode-se considerar como um processo bem sucedido de construção ideológica, elaborado a partir de uma burguesia intelectual.

Nos anos que se seguiram, foram impostas as concepções dos modernistas da Semana a respeito da cultura nacional e de país. Hoje, a uma certa distância, e contemplados pela emergência de outras vozes críticas e outros lugares para além do eixo centro-sul, muitas ideias sólidas construídas em 1922 parecem estar se desmanchando no ar.

Nos últimos 100 anos, estudos e debates substanciais foram empreendidos, ensejando a celebração do seu legado. Espólio inegável de uma interpretação que ao longo de décadas foi responsável pela formação de um projeto, não somente de modernidade, mas, sobretudo, de cultura, hoje seus limites também são postos a prova.

Neste intuito, o instituto Brasileiro de Museus e os Correios, juntaram-se para fazer coro aos debates em torno deste importante marco da cultura nacional, com debates e um bloco de selos postais que esperamos sejam parte de um momento, sem dúvidas, importante para a cultura brasileira.

Esta emissão aborda o evento histórico a partir das considerações do meio artístico e historiográfico acerca dos significados deste encontro modernista. Portanto, a arte foi desenvolvida para estender os significados da Semana para a atualidade levando em consideração, inclusive, as críticas tecidas na atualidade acerca do olhar modernista para a construção da nação brasileira. Assim, a ideia é conseguir provocar reflexão, por meio da arte dos selos, do modernismo enquanto um processo longo e plural, que está para além da Semana de 1922, mas que também era limitado pela conjuntura da época e pela posição social de seus construtores.

O conceito geral do projeto destes selos foi o de Antropofagia, conforme concebido por Oswald de Andrade e também utilizado por outros modernistas. Mas, ao invés de engolir o estrangeiro para criar a arte genuinamente nacional, a arte dos selos da Semana de 22 busca “antropofagizar” os modernistas, dando espaço para a representação das camadas populares brasileiras, para outras expressões do modernismo após 1922, além de tentar trazer uma visão atualizada dos significados de um Brasil marcado por diversidades e desigualdades.

Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM e Correios


Detalhes Técnicos

Edital nº 2

Arte: Juliana Souza e Paulo Baptista

Processo de Impressão: Ofsete, verniz UV e cor especial

Papel: cuchê gomado

Bloco com 4 selos

Valor facial: 2º Porte da Carta (cada selo)

Tiragem: 12.000 blocos

Área de desenho: 33 x 33mm

Dimensão do selo: 38 x 38mm

Dimensão do bloco: 230 x 240mm

Picotagem: 11,5 x 11,5

Data de emissão: 28/4/2022

Local de lançamento: São Paulo/SP

Impressão: Casa da Moeda do Brasil


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